domingo, 10 de junho de 2012

Rio Ganges: poluição e misticismo

Ganges é o rio mais sagrado para os hindus. Estima-se que 2 milhões pessoas banham-se diariamente no rio, apesar da imensa quantidade de resíduos químicos, esgoto e cadáveres.


 O Ganges (ou Benares), ao norte da Índia e Bangladesh, atravessa 9 estados e influencia a vida de 300 milhões de pessoas, das quais 20 milhões estão dispostos em suas margens. O rio tem uma grande importância para esta população, pois é dele que é retirada água e os alimentos que consomem. Para os indianos, os rios são como divindades e o Ganges é o mais sagrado deles. Os seguidores do Hinduísmo (mais de 80% da população indiana) acreditam que banhar-se em suas águas é sinal de purificação dos pecados. E talvez essa seja a diferença entre o que acontece na Índia e em outros países.

  Além dos dejetos industriais e domésticos (89 milhões de litros de esgoto são jogados no rio todos os dias), dos fertilizantes e pesticidas usados na agricultura (43% de toda irrigação na Índia é baseada às margens do rio) e do lixo em geral, a questão religiosa também contribui para o seu deterioramento. Diariamente, 2 milhões de pessoas banham-se no rio em busca dessa purificação. Porém, banhar-se, em si, não é o problema. E sim o que os crentes acabam fazendo em nome de sua fé. É comum ver corpos humanos e de animais boiando ao longo do rio. Os adultos são queimados em uma fogueira e então têm suas cinzas jogadas no rio sagrado. Já as crianças (e grávidas), consideradas puras, têm pedras amarradas aos pés e então são lançadas no meio do rio. Não obstante, animais como vaca – símbolo sagrado – também têm o mesmo destino. Assim, convivem os corpos fétidos (humanos e animais), as cinzas de mortos, os pescadores, as pessoas que lavam roupa, os crentes se banhando, as crianças que brincam, e a imensa quantidade de lixo, como plásticos, resíduos químicos e sanitários.

  Infelizmente, a poluição do meio ambiente é um presente (de grego) do desenvolvimento industrial e do boom populacional, aliado à falta de planejamento urbano e condições miseráveis de vida. Como o Tarun, eu espero um dia poder ver essa realidade mudando e isso só depende daquilo que fazemos hoje.

Vanderlei Sá Barreto





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